Teófilo Otoni recebe exposição A Gravura de Lasar Segall – Poesia da Linha e do Corte

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Teófilo Otoni recebe exposição A Gravura de Lasar Segall – Poesia da Linha e do Corte

20:44 | 16 de setembro

 O Espaço Cultural Casarão do Sesc Teófilo Otoni recebe, de 24 de agosto a 29 de setembro, o evento que integra o ArteSesc, do Departamento Nacional do Sesc. O objetivo do projeto é realizar exposições itinerantes em centros urbanos, tornando conhecidos os acervos de instituições culturais e obras de artistas plásticos de várias partes do país. Dessa vez, o Sesc realiza parceria com o Museu Lasar Segall, com o objetivo de oferecer ao público a oportunidade de apreciar a gravura desse grande artista.

 A abertura, apenas para convidados, será no dia 23 de agosto, às 19h30. A visitação para o público será de 24 de agosto a 29 de setembro. 

Organizada a partir de matrizes originais do artista, especialmente reimpressas pelo Museu Lasar Segall, em São Paulo, a exposição reúne 16 gravuras em metal e 19 xilogravuras elaboradas por ele entre 1913 e 1930. A litografia, processo a que se dedicou com afinco durante seu período alemão, permanece ausente dessa mostra. No entanto, as 35 obras apresentadas são suficientes para revelar um duplo movimento. Por um lado, confrontam as distintas abordagens que a figura humana adquiriu na obra de Segall, por outro, evidenciam o modo como a gravura se fez presente em momentos cruciais de sua trajetória. A programação da exposição contará ainda com uma oficina de gravura, ministrada pelo gravurista mineiro Milton Lira, e com visitas mediadas, previamente agendadas.

 

SOBRE A EXPOSIÇÃO
 

Lasar Segall acreditava que a gravura deveria reproduzir formas chapadas, com muitos contrastes entre o preto e o branco. Ao tirar cópias de suas matrizes de madeira, carregava nas tintas, cobrindo totalmente as partes altas da placa. O resultado deveria mostrar o essencial, como um folheto de cordel.

As gravuras com o tema da emigração enfocam a viagem de navio e a chegada à nova terra. Nessas peças, em metal, Segall utiliza-se de linhas mais suaves e sinuosas para retratar o mar, as gaivotas e as curvas do navio. As gravuras sobre o Mangue retratam a vida das mulheres que se prostituíam nessa região da cidade do Rio de Janeiro. Nas xilogravuras, os contrastes são mais fortes e os traços mais simplificados.

Gravura é o nome dado a uma técnica manual de impressão. A madeira, a pedra, o linóleo e o metal são utilizados como matrizes. O artista grava imagens na matriz fazendo cortes ou sulcos, com ferramentas cortantes, tais como as goivas e os buris. Sobre a matriz, o artista passa tinta e depois imprime a imagem, que sai invertida, em um papel. Pode-se tirar várias cópias iguais, obtendo assim uma tiragem. A característica mais importante da gravura é a de não ser uma obra única, pois pode ter múltiplas cópias.

Podemos ter uma ideia clara do que é a xilogravura fazendo uma analogia com carimbos de borracha. Os carimbos têm um pequeno desenho, em relevo, e que a tinta só pega na parte mais alta desse relevo. Este é o princípio da xilogravura: a matriz de madeira funciona como um carimbo. A tinta fica apenas em sua parte mais alta, aquela que não foi cavada, e o papel só vai ser “carimbado” pelas áreas que estiverem cobertas de tinta.
Já na gravura em metal o processo é diferente. A placa de cobre, latão ou zinco é desenhada com instrumentos pontudos ou com ajuda de ácidos corrosivos que criam sulcos na sua superfície. Depois de receber uma camada de tinta, a placa é limpa para a retirada do excesso e a tinta só fica em sua parte mais baixa.


 

SOBRE LASAR SEGALL

Em 1906, com 15 anos, Segall saiu de sua cidade natal, Vilna, e foi para Berlim, na Alemanha, estudar arte. É reconhecido como representante da segunda geração dos expressionistas que revolucionaram a produção artística europeia, com a proposta de uma arte “interiormente verdadeira”. Esse período de sua vida, que inclui a Primeira Guerra Mundial, é de intensa militância artística na Alemanha.

Em 1910, mudou-se para Dresden, cidade onde montou um ateliê e juntou-se a um grupo de artistas expressionistas. O Expressionismo foi um movimento artístico que surgiu na Alemanha em 1905. Os artistas desse movimento buscavam a expressão através de formas simples e despojadas e eram influenciados pela arte primitiva. Foi precisamente na gravura que o artista primeiro logrou uma nova forma plástica, concisa e concentrada, que dava conta, tanto do seu lirismo nostálgico, quanto da dramaticidade que as primeiras décadas do século anunciavam.

Naquela época, a Europa estava vivendo um momento muito difícil. Os tempos duros, de muitas privações, refletiam-se nas obras dos artistas. A gravura de Lasar Segall representa bem esse momento. Com traços precisos e fortes, Segall fez uma série de gravuras que retratavam as dificuldades dos povos da Alemanha, Lituânia e outros países. Não por acaso, em 1910, Segall transfere-se de Berlim para Dresden. Ali, na cidade que vira nascer o grupo A Ponte (1905), um dos precursores do movimento expressionista na Alemanha, Segall assimilaria, de uma vez por todas, a energia ímpar da gravura, nascida da urgência do corte, num jogo áspero de brancos e negros.

 

LASAR SEGALL NO BRASIL

 

Segall veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1913, para visitar dois de seus irmãos que moravam no país. A partir de 1924, mudou-se definitivamente para São Paulo, acompanhado de sua primeira mulher, Margarete. A mudança de um país muito frio, destruído pela guerra, para um país quente, de clima tropical, provocou uma grande transformação na pintura de Segall. No Brasil, a luz do sol e as cores eram diferentes. Era tudo mais brilhante e colorido. Imediatamente após a sua chegada, Segall começou a pintar a vegetação exuberante e o povo, com as suas misturas étnicas. O negro foi bastante representado em sua pintura nessa fase.

Já estabelecido no Brasil, Segall separa-se de Margarete e casa-se com Jenny, com quem tem dois filhos: Mauricio e Oscar. Com o tempo, Segall foi mudando o seu jeito de pintar. Começou a usar cores menos vibrantes e suas linhas ficaram mais suaves e arredondadas. Em seu ateliê, a jovem Lucy posava para ele fazer retratos. Quando viajava para Campos do Jordão, cidade montanhosa perto de São Paulo, carregava seu cavalete e fazia pinturas da paisagem. Segall viveu 66 anos. Foi um artista completo, pois além de pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, fez também móveis para sua casa, figurinos e cenários para peças de teatro e bailes de carnaval. Após sua morte, sua mulher e seus filhos montaram o Museu Lasar Segall na casa onde a família morava em São Paulo.

 
Visitação: 24/08/13 a 29/09/13
Local: Espaço Cultural Casarão do Sesc (Av. Bernarda Barbosa Laender, 146, Centro – Teófilo Otoni/MG)
Horário: de segunda a sexta, das 9h às 12h e 14h às 20h; e sábado, das 9h às 16h- Entrada gratuita

(Fonte: Sesc Minas)

 

 

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