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Histórico - Jornalismo - Programas Antigos - Lourival Pechir

ourival Pechir nasceu em Poté no dia 09 de setembro de 1917. Filho do libanês, Gustavo Pechir (que chegou ao Brasil em 1818) e da mineira Maria Augusta Pechir, era o terceiro de oito filhos. Gustavo Pechir era mascate. Vendia roupas e jóias na região de Malacacheta e Setubinha. Deixou tudo para explorar uma lavra de cristal rosa em Malacacheta. Anos depois, resolveu tentar o comércio em Pirapora, no Norte de Minas. Lourival era o mais velho. Em Pirapora, trabalhavam com peles de animais silvestres (cobras, jaguatiricas, caititus, lontras). Compravam-nas de caçadores e as revendiam a uma empresa do Rio de Janeiro. Comercializavam, ainda, borracha de mangaba (látex), resina de jatobá, penas de ema e crina de animais. Tudo destinado à exportação. Mantinham na cidade loja de tecidos e caçados. Mas lá os negócios fracassaram. A família teve de voltar. Fixou-se em Queixada, povoado de Novo Cruzeiro.

              Lourival fez curso de juiz de futebol e por volta de 1940 apitava importantes jogos em Teófilo Otoni, mas os xingamentos, coisa que Lourival nunca gostou o fizeram desistir do ofício. Era autodidata. Tinha só o terceiro ano primário. Gostava de ler livros de auto-ajuda e dicionários que decorava. Era criativo, falava e escrevia muito bem.

              Em Governador Valadares, conseguiu uma vaga de vendedor autônomo na empresa Minas Brasil (atacadista de armarinhos). Viajava no trem da Vitória -Minas até Nova Era onde fez boa clientela. Namorou em Valadares Sonora, filha de português e mãe de origem italiana. Casariam alguns meses depois em 25/02/1944. Ele com 26 anos e ela com 19. Nessa época Lourival já gerenciava um depósito de macarrão e farinha de trigo em Teófilo Otoni. No Rio de Janeiro, o Moinho Inglês, que comprava a mercadoria, sofreu intervenção do Exército e fechou.

              Homem de vanguarda, sempre acreditou na utilização dos meios de comunicação em favor do progresso e do enriquecimento cultural e educacional de um povo e assim se tornou o pioneiro em radiodifusão em Teófilo Otoni com a implantação do serviço de alto falante em 1945. Oito cornetas, como eram chamadas, colocadas nos postes, em pontos estratégicos, alcançavam quase toda cidade. Concursos de calouros, sorteio de prêmios, curiosidades, músicas, anúncios criativos e a seção de achados e perdidos atraíam a população. Na hora do ângelus as pessoas paravam nas ruas para rezar. Mas em 1949, o empresário Paulo Moura funda a Rádio Teófilo Otoni.

              Lourival enfrenta a concorrência até 1955 quando encerra o serviço de auto-falante. Passou a viajar a São Paulo como representante comercial. Chegou a vender pregos e tamancos, bonés, tecidos importados, móveis e eletrodomésticos mas tornou-se campeão de vendas da bebida Cinzano, fogos Caramuru e das máquinas de beneficiar arroz D'Andréa. Faturava mensalmente quase 800 unidades das máquinas e colocava todo mês na região 50 mil caixas de Cinzano. Como prêmio recebeu uma Kombi com a logomarca.

              Mas seu destino era mesmo as comunicações e em 19 de Janeiro de 1964, Lourival compra a Rádio Teófilo Otoni, na época pertencente a nove sócios.
No rádio incentivou a compra das ações da Cemig, fez campanha para trazer o corpo de bombeiros para Teófilo Otoni, reivindicou a criação da banda de música à Polícia Militar do qual se tornou o padrinho. Foi também um dos fundadores da COTETO, antiga companhia telefônica, lutou pela implantação do Frimusa e pela canalização do Rio Todos os Santos.

              De 1965 a 1969 promoveu no Cine Vitória e depois de Cine palácio programas de auditório chamados Matinal X-7, onde através de concursos de calouros projetou vários artistas.
Através da Rádio Teófilo Otoni Lourival foi um eterno voluntário de ações públicas sociais, um benemérito das entidades filantrópicas e um grande opositor das injustiças.

              Ao longo de sua vida profissional são incontáveis as distinções e comendas a ele conferidas com destaques aos seus méritos dentro da radiodifusão entre elas a Medalha da Inconfidência concedida pelo governo de Minas gerais.

              Era zeloso nos seus compromissos com a sociedade e com a família. Na missão de empresário tinha índole inquestionável. Exímio imitador, contador de anedotas e criador de charadas, uma das suas características mais marcantes.

              Membro da Colônia Libanesa, Lourival Pechir, era um dos homens mais importantes no processo de estruturação e progresso de Teófilo Otoni no que diz respeito a busca de identidade social da cidade. Idealista, determinado e incansável trabalhou na Rádio Teófilo Otoni até os últimos dias de sua vida onde sua voz podia ser ouvida em três programas diários: "A Hora do Ângelus", "Parabéns pra Você" e "Serestas do Meu Brasil".

              Lourival e Sonora tiveram 10 filhos, 20 netos e dois bisnetos. No rádio estão quatro deles Vanessa, Élbio, Evandro e Eduardo.

              Louriva Pechir faleceu no dia 11 de Abril de 2004 aos 86 anos de idade, o que ocasionou uma enorne comoção pública, uma ausência ainda hoje sentida pelos amigos e principalmente pelos familiares.

Creditos: Reluew@hotmail.com , jilsonsr@hotmail.com